Como uma organização pode contar com diversos mecanismos de controle e, ainda assim, não identificar riscos relevantes?
Em 19 de janeiro de 2023, a Americanas ajuizou pedido de recuperação judicial, com aproximadamente R$ 43 bilhões em créditos listados. Posteriormente, investigação da área técnica da CVM caracterizou as chamadas “inconsistências contábeis” como uma fraude complexa destinada a produzir resultados dissociados da realidade econômico-financeira da companhia.
O caso evidencia que a existência de estruturas de fiscalização, por si só, não garante uma governança efetiva.
A Americanas contava com conselho de administração, comitês, auditoria interna, auditoria independente e outras instâncias de controle. Ainda assim, a fragmentação das informações e a ausência de uma visão integrada podem impedir que os riscos sejam percebidos em sua totalidade.
Governança corporativa deve funcionar como um sistema integrado. Cada agente possui atribuições próprias, mas sua efetividade depende de independência, diligência, circulação adequada de informações e capacidade de questionamento.
Fiscalizar não é apenas verificar o cumprimento formal de procedimentos. É também identificar sinais de alerta, confrontar informações e questionar premissas.
O caso Americanas evidencia, portanto, a diferença entre ter governança e exercer governança.
Governança não é apenas estrutura. É comportamento, questionamento e responsabilidade.
Em caso de dúvidas, estamos à disposição.
Autoras: Tuany Buzato e Giovanna Saldanha