LGPD, tecnologia e equidade de gênero: como evitar discriminação algorítmica contra mulheres

Recentemente comemoramos o Dia Internacional da Mulher, data em que são rememoradas as importantes conquistas já alcançadas na incessante busca pela equidade.

O caminho para a igualdade plena ainda apresenta desafios complexos, especialmente no cenário de evolução tecnológica que vivemos.

É imperativo que o progresso digital e o uso das diversas ferramentas que dele decorrem seja acompanhado por mecanismos de proteção que possam proporcionar maior transparência e menor desigualdade.

Algoritmos e o risco de reprodução de preconceitos

Isso porque a tecnologia pode permitir que decisões sejam tomadas com base em algoritmos, os quais, por sua vez, podem carregar preconceitos estruturais se não houver uma vigilância ética constante.

Violência digital contra mulheres: um cenário preocupante

Além disso, a violência digital ainda é uma realidade latente, exigindo mecanismos de governança que garantam não apenas a privacidade, mas a integridade e o respeito.

De acordo com a ONU, uma em cada três mulheres sofre algum tipo de violência no ambiente virtual que vão desde compartilhamento não consentido de imagens, passando por assédio online e chegando ao doxxing (publicação de informações privadas, como endereço/ telefone/dentre outros, na internet).

O papel da LGPD na proteção de direitos fundamentais

É nesse contexto que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) dispõe que a proteção dos dados pessoais tem como fundamento o respeito à privacidade, inviolabilidade da intimidade, honra e imagem, além do livre desenvolvimento da personalidade e dignidade.

A referida legislação ainda consagra o princípio da não discriminação como pilar fundamental. Dessa forma, o tratamento de dados pessoais jamais poderá ser realizado para finalidades ilícitas ou abusivas que resultem em qualquer forma de preconceito ou discriminação.

Discriminação algorítmica e inteligência artificial

Tal previsão é revestida de especial importância, à medida em que decisões automatizadas podem ser tomadas por vieses, pois a inteligência artificial poderá utilizar base de dados refletindo preconceitos, criando um cenário de discriminação algorítmica atingindo especialmente mulheres. 

Governança e uso ético da tecnologia

A jornada pela garantia dos direitos das mulheres deve ser um compromisso contínuo. A LGPD traz em seu bojo importantes mecanismos para coibir a discriminação, contudo é imperioso refletir sob o papel da tecnologia e seu uso, evitando que ela se seja um obstáculo para a equidade de gênero.


Autora: Mariana Bortolotto Felippe

Compartilhe

Posts Recentes

comunicação no ambiente de trabalho

15 de abril de 2026

Novas formas de comunicação no ambiente de trabalho

Crise empresarial

14 de abril de 2026

Crise empresarial: qual o caminho jurídico certo antes que seja tarde?

regras da ANTT

13 de abril de 2026

MP aumenta multas para quem não cumprir as regras da ANTT

Decreto nº 12.880/2026

9 de abril de 2026

Em vigor o Decreto nº 12.880/2026 que Regulamenta o “ECA Digital”

emissão de GRU

7 de abril de 2026

Alteração na emissão de GRU a partir de 3 de abril de 2026

Áreas de atuação

Profissionais que atuam na mesma área:

Laureane Lima de Souza Guardia

Alessandra Scarelli

Camila de Castro Silva

Daniela Martins Mauricio

Eduardo Marcondes Ferraz

Felipe Pedroso Camargo